A Literatura a serviços das dissertações!
A literatura e outras áreas do conhecimento enriquecem as dissertações, evitando o senso comum e aprimorando a argumentação.
Gislaine Buosi

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8 years ago

Em dia com a Redação

Não só as dissertações argumentativas, mas também os artigos de opinião devem conter, além do posicionamento crítico do escritor, evidências, situações cotidianos de grande repercussão, recortes históricos etc. — é o que chamamos de fundamentação.

Mas há outras possibilidades de fundamentação. A Competência 2 da grade de correção do Enem reclama a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema.

Assim, fica claro que a Literatura, a MPB, a Filosofia, a Sociologia também estão a serviço das dissertações-argumentativas.

A boa fundamentação é responsável, principalmente, por privilegiar uma dissertação das demais, que, muitas vezes, beiram o senso comum.

O que  é senso comum?

Tem-se por senso comum aquilo que todo mundo sabe, que todo mundo diz. Isso (apenas?) não precisa ser mencionado. Por exemplo: “No Brasil, há um número expressivo de meninos que ainda sobrevivem do crime.”; ou: “No Brasil, as casas de detenção estão superlotadas.”; ou: “O Brasil demorou para abolir a escravidão.”; ou ainda: “A Saúde pública no Brasil é precária.”

Não que, ao longo do texto, essas informações sejam dispensáveis. Entretanto, é preciso prolongar a discussão, trazendo ao texto estatísticas, comparações, causas, consequências – enfim, é preciso ancorar tais apontamentos.

O candidato, então, deve indagar-se:

  • como o tema proposto impacta a sociedade, a cultura, a política?
  • como o tema reage diante do avanço tecnológico?

BE13F

Todo professor dá aula de Redação!

Isso equivale a dizer, repita-se, que a dissertação argumentativa pode – e deve! – buscar subsídios na História, na Geografia, na Literatura, na Filosofia, na Sociologia, na MPB, nas Atualidades... Nem mesmo a Matemática escapa: para a leitura e a interpretação de gráficos, a Matemática é indispensável!

A importância da imprevisibilidade

Se o candidato, ao longo da fundamentação, valer-se apenas das ideias contidas nos textos motivadores, a banca do Enem considerará a argumentação previsível – a Competência 2 poderá sofrer sensível decote.

Quanto mais o candidato trouxer ao texto elementos independentes dos textos motivadores, mais imprevisível será a argumentação, o que garantirá uma nota expressiva na Competência 2.

Confira a seguir como apropriar-se de diversas disciplinas para as dissertações argumentativas:

  • Tema: Cidadania e participação social
  • Recorte de MPB

  (...)   Quando Geraldo Vandré, nos idos 1968, compôs o hino de resistência do movimento estudantil à Ditadura Militar, teve por bem fazer um convite ao povo: “vem, vamos embora, que esperar não é saber”. Conhecido como Che Guevara Cantor, Vandré, certamente, encontra seguidores mundo afora. Todavia, o instrumental da luta ideológica contemporânea é outro – as letras de MPB cederam lugar às bandeiras ora vermelhas, ora verde-amarelas, que tremulam ao sabor do vento e das cestas básicas. (...)

Gislaine Buosi, fragmento.

  • Tema: Consumo e ostentação
  • Recorte filosófico
  (...)   “Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro”, já pontuou Freud, voz amadurecida da psicanálise do século XX.  A citação é oportuna quando o assunto é consumo e ostentação. Sem dúvida, o homem que está inserido na alta roda social – e ali pretende manter-se – precisa ter nervos de aço, saúde de ferro. Afinal, trajar Armani e Lacoste exige um holerite gordo. Da ceroula ao sapato, do sabão de barbear às casas de massagem, dos pubs às corridas de cavalo: quem não quer ter a rotina do executivo da novela das 9?   (...)

Gislaine Buosi, fragmento.