Como fazer uma crônica?
Aprenda a criar uma crônica: um texto que captura impressões pessoais sobre o cotidiano, misturando humor e reflexões.
Gislaine Buosi

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8 years ago

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Crônica, do grego "chronos", que significa "tempo"

 

O que é crônica?

As crônicas, originalmente, prestaram-se a documentar situações. O escriba existe desde as mais antigas civilizações – a ele cabiam os registros de compra, venda, nascimento, casamento, morte, como fazem hoje os tabeliões.

Atualmente, na Literatura e no Jornalismo, crônica é um texto ficcional, resultado das impressões pessoais acerca de um fato atual, ora recolhido do contexto social, ora da rotina particular do cronista. São comuns tons de ironia e bom humor. É comum assemelhar a crônica a um flash do cotidiano. A crônica é veiculada na imprensa, nas páginas de revistas ou jornais.

 

Crônica metalinguística, crônica argumentativa, crônica descritivo-narrativa, crônica reflexiva...

 

Como fazer?

Comumente, o gênero “crônica” vem acompanhado de outro nome que a qualifica; é esse segundo nome que, de fato, identifica o gênero a ser desenvolvido pelo cronista. Por ser um texto escolar, deve adotar vocabulário acessível. À falta de um limite, escrevamos, aproximadamente, trinta linhas. A crônica contém título. Embora as crônicas escolares normalmente não sejam assinadas, as crônicas publicadas em jornais trazem o nome do cronista logo abaixo do título, como no exemplo a seguir.

Exemplo de crônica metalinguística:

Trinta linhas brilhantes e empoeiradas

Por Gislaine Buosi

O diretor do jornal descobriu que usei ontem a mesma crônica de há dois meses. Duvido muito que o leitor mais atento se lembrará de que em agosto falei de fake news. Mas o diretor se lembrou. Claro! Pior que amanhã, pra compensar, devo apresentar uma crônica brilhante, pra pôr os cronistas dos jornais concorrentes no bolso. Haja inspiração! E, por falar nela, por onde você anda, santinha? Cadê você?

A festa no quintal da vizinha promete varar a noite. É já que atiram uns palavrões pro lado de cá. É verdade que adio há tempos o projeto de levantar o muro, mas. Uma crônica brilhante. Inspiração, estou esperando você, querida!

Editor leva sempre a melhor. Editor e jornalista. Eles topam com a coisa pronta, fresca, e então é pregá-la na folha de papel sem fazer força. Votos nulos e abstenções impulsionam reforma política. Pronto. E ao cronista o que sobra? “Um flash do cotidiano, quase sempre tocado a bom humor”, como dizem os professores. E quando esse flash não inspira, digo, não rola? E quando a passeata na Paulista e a greve de caminhoneiros já foram cronicadas pelos caras que levantam mais cedo do que eu? Como espremer o pensamento – sofisticado, é verdade, nas primeiras horas do dia, mas diluído até, o mais tardar, a hora do almoço – como espremer o pensamento e compor trinta linhas criativas para agradar o diretor do jornal?

         Trinta linhas? É bem provável que o diretor goste dessas. Torça por mim, leitor! Tenho mulher e filhos, costumo fazer doações em espécie ao asilo da cidade, sem contar que a mais velha deu de fazer as unhas de 15 em 15 dias, e a tal da cutilagem (aprendi a palavra esses dias) é coisa que tá valendo uns bons tostões. (Parte disso é mentira, mas eu tô caçando as trinta linhas.) Outra meia verdade é a seguinte: o BBB é uma bobagem, mas o problema é do controle remoto e não, propriamente, da Globo.

         Na vizinha, as coisas ainda estão calmas, nenhum palavrão pro lado de cá. Ouvi um arrastar de mesas e cadeiras, acho que foram recolhidas, passou um vento por aqui, levantou poeira. (Enfim, 30 linhas.)