Podcast Redigir Fundamental - Crônica - Avô e carro antigo
O Podcast Redigir Fundamental traz crônicas e propostas criativas para o Ensino Fundamental, com foco na escrita e na leitura.
Gislaine Buosi

8 min read

3 years ago

Em dia com a Redação

O Podcast Redigir Fundamental é o novo aliado das escolas no Ensino Fundamental. Os episódios, a cada semana, trazem propostas de textos literários e utilitários dos mais diversos gêneros redacionais - afinal, crônicas, convites, notícias, editoriais e fábulas fazem parte da leitura e da escrita de todos os dias!

A partir de propostas criativas, os podcasts também contemplam redações avalizadas pela equipe pedagógica da Plataforma Redigir, criteriosa por excelência. A escritora e podcaster Gislaine Buosi, inegavelmente, chegou para um upgrad nas aulas de Redação! É a tecnologia na sala de aula e na sala de casa! Esteja na vanguarda da Educação com a Plataforma Adaptativa Redigir.

Crônica - Avô e carro antigo

Confira o episódio!

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Transcrição do episódio

Sol, banho de rio, toalha estendida na grama, suco de fruta, sombra, pão doce, relâmpago, garoa, toalha dobrada – Seu Nenê, Dona Fátima e Valentim fizeram o caminho de volta para casa.

 

Olá, pessoal! Que bom nos encontrarmos aqui mais uma vez! Seja muito bem-vindo ao podcast da Plataforma Redigir! Eu sou Gislaine Buosi, escritora e professora de redação. 

No episódio de hoje, vamos desenvolver uma crônica descritivo-narrativa e, claro!, antes de mais nada, não custa lembrar que crônica é um texto escolar breve. É muito comum professores dizerem assim: a crônica é um flash do dia. E é isso mesmo! Cenas, por vezes, comuns, por exemplo: o garoto que aprendeu a escrever com a mão canhota; a senhorinha que cismou que a estátua do Cristo Redentor acenou pra ela – cenas comuns, nas mãos de escritores criativos e sensíveis, rendem crônicas muito bonitas. 

Como eu disse, o texto é breve – e, então, o número de personagens é reduzido. Na crônica descritivo-narrativa, o escritor apresenta (quer dizer, descreve) as personagens, o espaço e o tempo e, em seguida, relata (ou seja, narra) os acontecimentos. 

Vamos conhecer a proposta de redação?

 

Um casal de idosos sai a passeio com o neto. Viajam num carro antigo. 

E há também outros comandos:

a) conduza a narrativa na 3ª pessoa do singular – o narrador é onisciente, ou seja, não é personagem da história, mas conhece/relata tudo o que acontece, inclusive o que pensam as personagens. 

b) escolha, desde as primeiras linhas, o tempo verbal em que será conduzida a história (passado ou presente), e mantenha-o até o final do texto.

c) três personagens já foram criados (o casal de idosos e o neto); não se esqueça de descrevê-los e de integrá-los à história.

d) crie/descreva também um o cenário (uma cidadezinha, a beira de rio, um shopping center etc.): o leitor vai imaginar/enxergar exatamente o que estiver “desenhado” com palavras.

e) atribua um título à crônica.

 

Está difícil? Mesmo? Mas pode ficar fácil! 

Antes de começar a escrever, respire fundo e mergulhe na proposta – imagine-se nesse passeio e levante hipóteses: foi a primeira vez que o neto e os avós saíram a passeio?; aonde foram?; aconteceu algum incidente no meio do caminho?; o carro enguiçou?; o avô ficou nervoso?; pensou em comprar outro carro?; qual foi a reação da avó? etc.  

Deixo aqui também umas dicas:

Para prender a atenção do leitor, pense em histórias originais; pense, principalmente, em situações e desfechos surpreendentes. Esteja certo de que ninguém pensará naquilo em que você esteja pensando – isso é ser original.

Não tenha preguiça de escrever e reescrever o texto – o segundo é sempre melhor do que o primeiro; o terceiro, muito, muito melhor do que o segundo... 

Ao final, o texto deve fornecer respostas para: o que aconteceu?, com quem aconteceu?, como?, quando?, onde?, por quê? e finalmente... 

Antes de entregar sua produção textual ao corretor, releia o que escreveu, faça a autocrítica e a autocorreção: confira se seu texto está fácil de ser entendido, se as frases e os parágrafos estão bem ligados, se as ideias estão numa sequência cronológica e não se embaralham, se não há repetições nem sobra de palavras, se a ortografia, a acentuação gráfica, a pontuação e os plurais estão corretos.  

 

E... você quer conhecer minha crônica? Então aqui está ela!

 

Fusca, piquenique, chuva... e muita diversão!

Por Gislaine Buosi

Talvez Seu Nenê, sempre tão alinhado, pretendesse esconder os quase oitenta anos, muito embora as sobrancelhas espessas e brancas os denunciassem. “Já tirou a poeira do Fusca, Nenê?” Essa era a primeira pergunta do dia – Dona Fátima gostava de ver o lustro azul da lataria do carro.   

A casa de Seu Nenê e de Dona Fátima, especialmente nas férias, vivia cercada de filhos, netos, sobrinhos... e de quem mais quisesse comer pastel de angu. “Podem chegar, a casa é nossa!”

Valentim, o neto, mal pôde esperar por aquele dezembro. Arranjou roupas, tênis, boné, e topou com a casa de portas e janelas abertas, o pão quente, a cesta para o piquenique.

— Nós vamos de Fusca, vô Nenê?... Tem ar condicionado? Direção hidráulica? Entrada para USB? Farol de neblina? Sensor de ré? Limpador de para-brisa traseiro?

— Hein?

A avô sorriu amarelo, meneou a cabeça, arrumou os punhos e o colarinho.

Seu Nenê e Dona Fátima acomodaram-se no banco da frente, e Valentim, no banco de trás. O garoto, durante o caminho, quis beliscar o pão doce, mas entendeu o olhar da avó, como se ela lhe dissesse: “Já estamos quase chegando, o pão doce pode melecar o banco do Fusca...”.

***

Sol, banho de rio, toalha na grama, suco de fruta, sombra, pão doce, relâmpago, garoa, toalha dobrada – Seu Nenê, Dona Fátima e Valentim tomaram o caminho de volta para casa.

— Vô Nenê! Não deixa aquele carro ultrapassar o Fusca! Não deixa!

— Deixo sim, Valentim! O Fusca está muito na frente de qualquer outro carro... Faz vinte anos que o Fusca corre... Os outros carros estão muito atrasados...

A certa altura, como a chuva os alcançasse, Seu Nenê parou o carro no acostamento. 

— O que aconteceu, Nenê?, perguntou Dona Fátima.

— Uai?! Não é que o limpador do para-brisa enguiçou?!

— E agora, vô Nenê? 

— Acalmem-se! Pra tudo há solução!... Empresta os cadarços dos seus tênis, Valentim! Fátima, preciso do laço de fita do seu penteado... Hummm vou precisar dos cadarços dos meus sapatos também! 

Cadarços e fita amarrados nas hastes do limpador do para-brisa, Seu Nenê passou a puxar daqui, Dona Fátima, dali. A engenhoca era muito, muito precária; obviamente, não varria a água do para-brisa. Mas os três divertiam-se muito!

 

E então, gostou da minha crônica? Também quero conhecer a sua, ok?

E que tal escrevê-la agora? Vamos lá! Desenvolva essa proposta de redação (clique aqui) – escrever é bom demais! Poste sua redação e, assim que ela chegar corrigida no seu aplicativo, frequente o percurso de aprendizagem da Plataforma Redigir. Lá você encontrará tópicos de gramática e listas de exercícios, sobre os pontos a serem aprimorados em seu texto. E, antes de nos despedirmos, convido você a assinar o podcast da Plataforma Redigir no seu tocador de preferência. Essa redação que você acabou de ouvir está disponível no site. Então é isso! Um abraço e até o próximo podcast!

 

Confira aqui o episódio anterior.

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